domingo, 20 de dezembro de 2009

Rascunho

Eu vou ficar escrevendo até que algo de verdadeiro saia dos meus dedos. Vou ficar aqui , cansada , dizendo coisas sem sentido , pra ver se consigo ser algo menos superficial. Quando eu parei de pensar na nossa existencia? Porque a gente é só pele , e pele é superficie , e eu preciso estar em algo mais denso. Eu já reclamei outras feridas, mas sua falta de força contra a minha pele me deixa assim parada , sem sair do lugar. Estou procurando algo que eu possa sentir ... Sabe as flores que você me deu em julho ? pois é , eu não lembro a cor. Estou constatando que perdi minha memoria , será? Como que se chega num lugar sem saber o porquê ? Por que eu estou sentado no sofá , do seu lado , você vendo Tv e eu rascunhando essas palavras? Não , isso não é uma pergunta. Eu estou dizendo que de nós sempre ficam superficies porque eu sento ao seu lado e vocE olha pra frente. Ou melhor , você olha pra frente e eu sempre sento ao seu lado. A flor que vocÊ me deu à três dias atrás já está murcha. Não tem problema , eu vou desenha-la na minha pele até que eu consiga penetrar essa superficie que nos desloca. Essa distancia vai encurtar. Não! Mudarei. Eu vou levantar , abrir a porta e talvez nunca mais volte. Não posso viver nessa falsa construção de n´so dois. Eu vou! E talvez eu não volte. Talvez você leia esse papel. vou deixa-lo caido , ao lado do sofá, como quem esqueceu algo que não deveria. Bom, eu vou. É preciso ultrapassar alguns pontos . Bom , você está contente com a minha companhia , vou esperar seu programa preferido terminar. Não quero ir embora e acabar com a sua alegria cotidiana.

Dominique Arantes

Um comentário:

Diogo Liberano disse...

gente
pelo visto algo saiu dos seus dedos

sabe q esse papo de ser superfície é mto incrível.

gostei muito. principalmente da facilidade em q as coisas se reorganizam.. de volta para o mesmo de sempre. de volta para a infeliz segurança de sempre.

!!!