quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Por enquanto

Eu aceito.
Seu cravo, seu jeito.
Aceito sua falta de palavra, minha atitude inventada.
Aceito nossa saudade encorajada pelo celular.
Aceito ir na mala e ser carregada para um lugar esquisito.
Mesmo com insetos e bichos.
Eu disse,
eu tomo anti-alérgico.
Deixe-nos nessa invenção de nós dois.

Dois

Prometeu-me um pente novo.
àgua quente no chuveiro
café da manhã na cama.
Prometeu-me penteado
horas de sono
Prometeu
abraços sinceros

conversas suaves
compromissos atrasados
casamento desmarcado
filhos inventados
lua de mel
Prometeu Paris
Berlim e Londres também.
Prometeu beijos embaixo de chuva na Lapa
mãos em Copacabana
sorrisos no café da manhã.
Café em Ipanema
filhos adotivos na Lagoa
Despertador às duas da manhã.
Flores às três.


Tudo.
Esqueceu de prometer saudade e distância.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

OCO

É preciso um coração oco para continuar em pé.

Para bombear o sangue.

Encher de amor o coração entope os atrios e ventriculos.

Adoeci.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

sinceridades

Deu-me uma saudade.
Assim.
Não sei.
Faz falta.

Deu-me uma saudade
Assim, dos sorrisos.
Dos braços.
Dos corpos.

Pensei na despedida que não teve.
No papel em branco não escrito.

Deu-me lágrimas.
Eu queria aí estar.
Contigo, só, para sentir nossos abraços de novo.

Não sei o quanto de nós se foi de verdade.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vão

Ela vai acordar às três horas da manhã.
Vai passar o café.
Vai abrir o livro na página duzentos e noventa e oito.
Vai amar a parede e os porta retratos.


Então, ela vai acordar.
Vai levantar,
às duas e cinquenta e cinco.
Vai à varanda e vai contemplar o céu.

Ela vai despertar o corpo.
Serão duas da madruga.
Sei que vai amar em silêncio o silêncio.
Depois vai sorrir.

Os olhos abrem,
pensa no chocolate que deixou na geladeira.
Fecha o livro.
Está tudo verde.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sonífero

As unhas não estão feitas
Os cabelos precisam ser cortados
O peixe está no forno
Tem vinho na geladeira
Está calor
Vírgula
eu estou vestida com o vestido que você não gosta
Ponto

O que mais há para dizer?
Bom,
há flores,
perfume.

Você reclama meu afastamento. Diz sobre a voz, os olhos, os braços.
Eu digo eu estou aqui, e pergunto: quer sinceridade maior que esta?
E digo você pode me despir dos tecidos.
Eu estou aqui.
Você pode sorrir.

Vamos jantar?
O jantar está pronto. Eu estou nua.
Você vestindo-se.
Vamos jantar. Antes que queimemos o molho.
Você entrega-me um papel.
Eu digo
Não sei ler.
Mentira.
Digo, não quero ler.
Me diz. Quais e quantas são as palavras?

Eu estou com preguiça, mas quero dançar.
Chove. Começa a chover, agora.
Vou ao quintal. Molho meu corpo, nu.
Grito:
Quer sinceridade maior que esta?

Você me bebe. Bebe o vinho.
Vamos dormir?
O peixe estava bom?
Disse que não sabia cozinhar,
você acreditou no molho de damasco.
Vamos dormir.
OU acordar os olhos.

Não sei onde estão as tolhas.
Deito-me aqui, nua, na grama, cobrindo-me pela chuva.
Acho gostoso.
Você olha. Acha bonito.
Sorriso.
Que bom.
Vem comigo.
Me deita.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Avalanche

Sabe essa avalanche que é o mundo no corpo?
 Eu gosto.
E por isso quero mais. Ser mais repartida em 550 fatias, por dia. Parace muito, mas pouco será ficar imóvel dizendo: SEI.
                                 Eu não sei.
Sinto as avalanches, as perfurações. Mas existe sorriso sim, sincero. Nos encontros.
                                                          Outro dia encontrei um pote de verduras. Achei-as belas. Estavam misturadas e, mesmo assim, sorriam. Como se sorri quando se está prester a ser mastigação. Acho que elas, em mim, agora estão questionando a horta de onde vieram. Disseram-me: "parecemos, todas, repetições". Cada uma chora de uma forma quando se arrancam da terra.

domingo, 28 de novembro de 2010

Sabe?

Ela fica um pouco triste.
                                 Sim.
Quanto mais se sabe mais se dói.  É DIFÍCIL VIVER DEPOIS DE TANTAS REVELAÇÕES.
Conhecimento atravessa. Queria, ela, achar entusiasmo com toda essa avalanche eterna que é a presença do mundo no seu corpo.

Sobre quando as linhas desfazem os sentidos

Desculpe-me, mas aqui não há mais espaço para qualquer imaturidade. Haveria paciência, não fosse minha falta de dedicação à essa construção. Não há querência qualquer para que isso se sustente. Entende? Acabou não porque aqui deste lado o corpo cansou e não aguenta mais. MAS SIM PORQUE AGUENTA MAIS. E MUITO. Assim, aguenta mil outros corpos gostosos pulsando sinceros. Aguenta ainda muitos choros e gritos e sorrisos. Portanto, desculpe-me esse telefonema desligado antes do meio da conversa. Não vibro sua voz, seu corpo, ou qualquer história sua. Aqui, em minhas linhas, seus espaços acabaram.

Resistindo

Tentando entender os corpos atravessados.
Questionando as culpas.
Gritando para os hipócritas.
Cansando dos mesmos.
Andando de ônibus tarde da noite.
Ainda assustada com a Presidente Vargas sem transito, às 18:30 de uma quinta-feira.
Conversando com meninos de rua, com travestis de rua. 
Sorrindo com o vovô, toda manhã, catador de papelão.
Parando de sangrar os animais.
Querendo desligar, para sempre, a televisão.
Desacreditando no nome "guerra" para isso tudo, desacreditando no bem e no mal.
Reconhecendo a culpa. A parte no todo.
Ficando com nojo dos empresários e do lucro com toda essa propaganda.
indo...
E pensando arte, sempre.
Porque é preciso resistir.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mas venha.
Eu não vou me comprometer com o nosso esquecimento.
Ficarei comendo as palavras para preencher o vazio. Comendo a memória. Chama-se alimentação, repita comigo: A-LI-MEN-TA-ÇÃO. Poderia ser alienação. Sim, perdi a sensibilidade para novas contruções. Mas contrui casa, cozinha e lavado. Tudo com brilho e sem cheiro de mofo. Como nossa cama. Sempre teve um cheiro, ela, a cama, insuportável de corpos mofados.
 Me disseram que era preciso amar o mofo. Aprendi. Dói. Confesso. Mas tudo é superado.
Aqui, não posso dizer amor. A cama não me pertime.

calma.

Nos acalme.
Não vamos definir amor.
Nós podiamos ficar por tempos aqui, falando sobre essa desorientação dos corpos.
Dou-nos um tempo.
Não!
Não estou pedindo distância. Quero-te colado. Entende?
Não se traduz amor com palavras. Você disse: Dê-me um beijo. E só.
Basta. Sentes? Não precisa falar. Está ai. Não deixe escapar esse mergulho na saliva alheia.
Poderia ser amor? Digo sim. Não me deixe entender. Não quero distância, quero calma.
Não vou perder seus toques. Outros pré amores se foram e não sei onde os toques foram parar.
Os seus não perderei. Não por hora.
Existe uma pressa lá fora. Lá! Logo depois da cortina. As pessoas gritam, os carros berram. Todos os atropelamentos possivies. Não há toque.Lá.
Mas, aqui, deixemos os olhos wos toques. Aassim, como desfragmentar o tempo. Esquecer a velocidade das concretudes e das descrênças.
Onde crêr-se na calma.   

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

sala

Não faz isso, tá?

Eu juro que saudade dói. Não sei mais sua cor, seu cheiro. Outro dia olhei uma foto sua, para lembrar sua voz. Achei esquisito. Perguntei-me: Onde eu me apaixonei? Não lembro-me o detalhe que me prendeu à você. Estranho. Sinal de que há desordem. Sempre houve. Eu estou me forçando a não te esquecer. Faça um esforço você também. Seja legal, sorria, me abraçe, cuide da minha dor de coluna, me lembre porque existimos em conjunção por certo tempo. Eu definitivamente não gosto de você. Estou enojada.  Não quero olhar-te, muito menos tocar seu colo. É que eu fico inventando motivos para amar, sempre. Isso é uma potência na minha vida. E eu invento tanto que acredito, e me desespero, me machuco nessa invenção. A gente inventa a vida todo dia. É isso. É uma realidade inventada, luta para não morrer nessa ignorânça toda. Eu invento amores, e como atriz, acredito em todos. Mas agora desacreditei em nós. 

sábado, 6 de novembro de 2010

Nosso poetinha.

A uma mulher

Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
E que era preciso fugir para não perder o único instante
Em que foste realmente a ausência de sofrimento
Em que realmente foste a serenidade.



Vinicius de Moraes.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Saudade doce ( para resgatar o que estava esquecido)

Não é do cheiro ou do pelo ou do beijo.
Não é do café ou do mate ou da coca.
Nem do sexo.
É do que somos agora.
Do colo. do sofá.
Nem saudade é.
Talvez desejo.
De sermos em conjunto outra variação.
De surpreender-se com as diferenças.
E mais com os encontros.
Ou talvez das doçuras das manhãs.
Talvez ai estejam as  maiores saudades.
As preguiças cobertas pelo edredon.

Sei lá.
Sei não.
Pontos em descoberta.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Deito-me aqui

Para poder comer seu sorriso pela manhã.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

?

Desculpe-me o egoísmo.

Tem alguém gritando lá fora, e eu reclamando de solidão aqui dentro. Eu estou um pouco assustada. Na verdade, estou com medo. Não sei o que fazer. Sou incapaz , por medo, de descer e prestar ajuda. Eu choro. É um pouco assustador esse gemido todo à essa hora da madrugada. E o pior é que eu nem consegui enxergar a sua cara. A cara da mulher que gritava, assim, as duas e vinte e quatro da manhã. Que imobilidade a minha. A nossa. Agora tudo silênciou-se. Não na minha cabeça. Como faço? Estou um pouco apavorada com toda essa gritaria que se foi. A gente não tem como fugir a matéria. É isso que somos. Corpos. E eles machucam, rasgam, sanram. Como pode? Machucar assim um corpo. Eu sei, estamos cansados desse discurso. Mas não dá. O que se faz com essa nossa imobilidade? É que os gritos interferiram toda a minha possibilidade de reclamação sobre nós. Porque prefiro estar só à estar aos berros com alguém que me invade a matéria. Eu não sei se vou conseguir dormir. Eu sei que estou, agora, segura aqui. As portas estão trancadas. Mas não é possível tranquilidade agora. Me sinto tão minúscula. Não sei resolver o quadro torto pendurado na parede, e quero dar conta da rua. Como faço? Eu não sei se sou capaz de proporcionar alguma mudança. Eu quero abrir as janelas, pulá-las. Onde se muda o todo? Que incapacidade. Que incapacidade. Fico achando que esse teatro todo não modifica nada. Só aumenta a gastrite. E a rua continua distante.

reforma

É preciso lavar as paredes.
Mudar as cores.
É preciso amar o mofo.
O rodo. Limpar a casa.
É preciso cortar a casca.
Cortar as estantes. Abrir as janelas.
É preciso amar os corpos.Os vizinhos.
Os bem-vindos. Os mal-vindo
É preciso cortar os corpos. Os vizinhos.
Os nossos cortes. Cortar as idas e vindas.
Eu preciso catar os gemidos. Eles perderam-se na última ceia.
Eu preciso.
Não. Não preciso amar os corpos nem os mofos nem os pelos nem a pele.
Sim, os orgãos,  a ausência, a sala vazia.
Tem açucar derramado no tapete branco, ninguém nota. 
Eu preciso.



Não preciso. Não tenho certeza sobre nenhuma respiração dita aqui.
Deixe-me gemer.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

amanhã

Eu queria um tempo à mais. Para dizer de novo "me cose em você". Está tudo amargo com essa saudade. Eu gosto. Gosto desse suposto sofrimento inventado para me alimentar. É um pouco estranho, mas me descobri assim, sim. Sim, difícil aceitar. Como se vive da solidão, alimentando-se do resto? Porque tudo vigora e em mim faz sentido quando não há certeza. Quem inventou o amor? Eu nomeio amor sim. Amo esse abraço partido, esse cheiro embolado , uma saudade. E não sei, sabe? Você podia não voltar. Seria melhor. Para os pequenos. Eles ficam confusos com esse vai e volta todo. É muita desarticulação das partes. Como pode-se amar esse desencontro todo? Eu amo. Cada rasgo, cada corte. E gosto de sorrir nossos corpos esquecidos. Quero esquecer a seu lado e registrar nossos sentidos. Não vou lembrar do que fomos. Me deixe ver isso que criei para nós dois. Hoje senti saudade. Digo-te amanhã.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Café da manhã

Acho que é isso. Só restamos nós mesmo. Dois e alguns fragmentos de outros. É dificil esse compartilhamento. Seremos nós assim?  Porque sempre nos encontramos quando dar-se fim em outro. Há um cansaço de tudo isso. Quinta-feira tudo irá resolver-se, com flores ou tiro. De qualquer forma, tudo machuca.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Não faz mais efeito o café.
Nem energético.
Está tudo consumido.
Também consumado.
Eu não sei falar inglês, ou francês.
Eles serão alimentados por sorrisos?
Isso não é capaz de nos tirar a imobilidade.
Não vou deitar-me ao seu lado. Irei querer consumir o lençol.
existem palavras ao invés de mãos.
Bom, o café já está feito.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Proposta incidente

Vamos nos aglutinar. Colar os corpos. Coser os cacos. Amarrar-nos pelos cadarços. Vamos. Fazer praia na madrugada. Escrever escrever enganchamentos. Eu queria seu sorriso pela manhã. Vou cavar coisas aqui. por aqui. Logo ali. Você está vendo. Não me veja . Vamos juntar os pré-juízos, os desconceitos. E dizer novo. Quero dizer que não sei o que olho. Vou deixar-me sua. Ser sensível aos cascos, aos cacos. Decidimo-nos por emaranhados. Coisas imprecisas não precisam de ponto.

Rato

Você me dançou.
Digo agora que o som está alto demais. Você me dançou. Minhas faces.

Gostei do cheiro. Do seu cheiro no meu pescoço. Diga-me quantas palavras precisará para partir? Abaixa  o volume um pouco. Não me pega a cintura. Estremesso. Queria arrancar-te os pêlos. Vamos abrir a janela? Faz horas nosso engachamento não se precipita. E ninguém nos percebeu. Você atua feito... Será que há queijo na geladeira? Deve haver pessoas ruendo-se lá fora. É manhã.

Ele vai brotar dos lençons.

domingo, 24 de outubro de 2010

Desconstruida

Chega um ponto em que levantar paredes pela força não faz sentido algum.  Diga-me onde estamos com esses remendos todos por cima dos tijolos destruídos? Dói um pouco perceber, mas esse casamento já não se fez faz tempo. Sabemos, não cabemos na mesma cama. E para que ficar rossando os corpos, criando prazer e dores? Ai, que besteira estamos fazendo com a nossa sobrevivência em conjunto. Eu não posso estar com você. Se você me exige dor para sua alegria, para mostrar suas teorias e sabedorias, eu não posso. Não é assim que eu aprendi a construir relações. Eu tentei equilibrio entre nossos prazeres. Isso foi quase impossível. Posso lembrar de alguns momentos, sim. Mas nada que sustente essa parede. Tem mil coisas penduradas nela. Ela nos carrega, carrega as estantes, os bichos, os retratos. Preciso de sorrisos sinceros. Não quero insistir em nossos cortes. Fica uma dor. Pode ser desistência mais uma vez. De nós. E posso voltar mais uma vez, para nós. Deixe-me feliz sem suas verdades.

Por favor

Aperta o peito. Eu disse. Não estamos mais juntos. Pode me partir. Pode me colocar em fatias. Não importa mais as janelas. Hoje não há claridade sobre nós. É dificil ouvir. Falar. Preciso calar-me. Deixe-me em silêncio. Estavam sorrindo, festejando.Há falta de ar em mim. Meus pés doem o carnaval de ontem.
Não suportei nossas divisões. São tantas partes. Não há mais possibilidade. Digo-te despedida.
E por favor. Não vamos nos camuflar novamente. Não há mais nada a ser construido. Gostaria de novas formas, porém estamos em repetição. Acho que isso não me agrada. E isso não é justificativa para eu incetivar sua partida. Eu cansada de algumas coisas. Prefiro me partir a morrer sedentária. Por favor, não me compreenda.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

idade

Foi ontem.
Ela disse.
Ontem.
Hoje ela gripou.
Recebeu telefonemas atrasados. Vários
Sentiu falta dos abraços.

Ontem ela viu que muitas coisas não faziam sentido.
Como querer estabelecer segurança nesse caminho.
Percebeu algumas ramificações. novamente.
Percebeu novas ramificações.

Percebeu sorrisos.
Abraços.
Motivos de felicidade.
abraçou um colo
amou um sorriso
recebeu

Espirrou.
abriu e fechou janelas.

ramificou-se.
Fez-e inteira nos braços.

sorriu os melhores sorrisos.
dividiu bolo e guaraná.

brindou o vinho, a solidão, o aglutinamento, o casamento, a sinceridade, os opostos, as semelhanças, o espelho, as mãoss dadas, o café da manhã, o café de amanhã, os livros pela metade, a janela do vizinho, a cor do tapete, o atraso, a desmedida, o controle. Os clichês, o brega. brindou a dúvida, a incerteza, a falta de qualquer coisa absoluta.


ainda incertezas.
É que a gente fez plano antes de se pertencer.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cor

Deixe-me restar.
É assim que estamos.
Não vou prender-me à você, nem à casa, nem às paredes.
Aqui, onde tudo é melhor.
Mentira.
Onde está o telefone?
Não consigo mais me comunicar com alguém.
Que não seja sua voz.Com ela eu falo.
O que você fez com as cores da casa?
Está tudo soterrado. Ou eu não estou mais vendo os retratos?
Possível. Isso é.
Vou pedir que não me forces respostas.
Não as tenho. Nunca as tive. Você sabe.
Porque insiste em perguntar sobre a geladeira?
Eu sei, há comida podre.
Engole esse choro.
É tudo fingimento.
Meu.
Não sou assim forte.
Você sabe. Eu sei. Acho que todos sabem.
Só porque você me viu como uma mulher inteira não quer dizer que eu a seja.
Eu ainda estou em fragmentos. Faz parte.
Você nos disse: Cada um tem seu tempo.
Não me force ao seu.
Você é covarde. Prende-me aqui, até que nossos tempos se encontrem.
Para que? Isso não me faz estar presa à você.
Outras pessoas passam pela janela.
Eu flerto.
Eu assumo.
Não brigue comigo. Eu estou assumindo.
Deixe-me partir. Não quero esperar nosso tempo.
Você é imaturo.
Às vezes some e eu fico sem comida. Fico descascando as paredes.
Entendeu porque elas estão sem cor? Eu me alimentei dos nossos restos.
Deixe-me restar.
É assim que estamos.
Eu não vou me soltar de você, nem da casa, nem das paredes.

domingo, 10 de outubro de 2010

Com Fusão

Não sei . Acho dificil algo ter sido desfeito. Fico confusa com nossas pernas quando se cruzam. É muito cheiro que elas carregam. Estamos sendo o quê? Nem você sabe nos responder. Eu esperava uma resposta definitiva. Algo que nos arrancasse dessa imobilidade e nos colocasse em fusão. De novo. Seria brincar demais no mesmo pátio, não é? Poderia eu escorregar e quebrar qualquer parte. Ou fazer-te quebrar, novamente. Não, isso eu não poderia. Seria cruel. E tenho medo dos nossos sorrisos. Eles são sinceros demais. Explica, meus ouvidos não entendem. Como isso pode? Esse distanciamento fazer-se conjunto. Se bem que a gente sabe, é preciso distanciamento para qualquer compreensão. Foi bom não estar tão dentro o tempo todo. Senti falta de ser seu colo a todo tempo. Agora quero fusão. Com os cheiros.

domingo, 26 de setembro de 2010

Uma besteira qualquer

Havia uma fala específica, de um silêncio especifico, entre nos dois. Engraçado como temos medo quando os corpos gritam demais. Deve ser por isso que passamos um tempo controlando a expansão dos músculos. É difícil respirar e não estar sobre você, não caminhar seus pelos. Gosto quando amacia minha nuca., é gostoso. Mas devo advertir-te, não sei até quando durarei contigo, tenho outros planos. Em verdade não tenho planos, tenho medos. Medo desse enganchamento todo, de estar presa, de abrir espaço para cosermo-nos. Besteira? Sempre. Mas estou aqui, não estou? Então por enquanto você não precisa de medos, deixe que eu carregue-os todos. Saberei a hora de livrar-me deles. 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

mala

Há aqui um espaço despreenchido. É preciso mais do que barba para chegar com as mãos em minha cintura. Não se faz amores e amassos da noite para o dia. Existe uma incapacidade entre a gente. Não nos culpo. Deixemonos assim. Só que é sempre importante saber partir ou deixar o outro escorrer. Ou as duas coisas. Eu aprendi isso. Faz pouco tempo. Mas isso não quer dizer que não goste do seu peito. Gosto de deitar minha cabeça em ti, e me sentir cuidada. E, logo depois, a gente se parte e se perde. Sei que a essa hora você está arrumando sua mala, reorganizando, separando as cores. Acho bonito quando viaja. Não tenho saudade. Tenho curiosidade sobre o nosso próximo apego.

Tylenol

Eu não vou!
Não é posspivel ser assim. Estar assim. Estou com a cabeça cheia, não há espaço mais para isso que construimos. Sei que é complicada a partida. Sei que também irei partir em silêncio. Venho partindo assim, e me repartindo também. Parece menos doloroso, pelo menos para um dos lados. A cabeça dói, a minha. A sua não sei. Como vai você? De verdade. Como é estar só nisso tudo? A mim, resta o latejar e, como eu parei de tomar remédios, terei que aguentar até que os olhos cansem-se. Desculpa. Hoje, mais uma vez, eu queria pedir desculpas. Eu não devia, mas vou. Irei ligar-te daqui a pouco e dizer que te amo. E dizer desculpas pelo grito à muito abafado. É que às vezes o yoga não funciona. Eu gritei porque esse excesso de generosidade sufoca. Que cruel isso. Eu sou cruel, eu sei. Mais estou sufocada. Na verdade estou, agora, somente com dor de cabeça. Talvez por isso quisesse um pouco de ar, um espaço vazio para eu me relacionar, sem ter que pegar na sua mão. Eu não disse. Mas tenho saudade. Tenho sempre. Todo dia. Sinto falta. Não gosto do que fiz. Fazer uma pessoa assim tão linda chorar. Desculpe-me. Prometo abraços e beijos e flores amanhã. Por hoje, somente um Tylenol.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Final de semana

Aconteceu que a casa cresceu. Eles que eram dois agora são quatro, e isso faz diferença. É dificil não tropecar nos brinquedos, nas panelas, no sapato em frente à porta de entrada. As paredes foram desbotando-se ou eles nem podem mais perceber o cheiro que elas tem. Cresceram as portas, os móveis, as cortinas, o fogão. Tudo apertando-os, fazendo-os esbarrões à cada dez minutos. Desfazendo-os. Tirando o laço, o braço, as mãos. Desfazendo o cheiro, a novidade. Não se suporta mais tanto corpo colado para se estapear. Falta a saudade e por isso estão à correr. Procurando onde ela possa estar, a saudade. Correm na sala, no banho, no café. Correm com as crianças no colo, olhando a tela do computador, a tv. Olhando os espelhos.. Procurando de novo aquele lugar de açucar. Não há possiblidades para parar. Então, correm lá fora. Porque dentro já não há espaço, a proximidade já os distanciou demais. Vão andando para ver se esbarram-se novamente, numa quina, ou numa praça. Calma. As crianças estão seguras, foram passar o final de semana na casa da avó.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Je t'aime mon amour.

Vamos lá!
Vamos crêr que inventamos tudo.
Que era tudo uma mentira inventada
Para satisfazer o ego, ou o corpo, ou a poesia.

Sei lá.
Qualquer coisa que explique a distância de agora.
Porque, se verdade fosse, não estariamos divagando possibilidades.
Estariamos com os corpos colados. sorrindo e dizendo Je t'aime.

Besteira.
Eu não diria isso.
Ou melhor, eu diria isso. Você não.

Não sei.
Eu estou aprendendo sobre isso.
Sobre essa invenção da gente.
Você é uma coisa inventada.


Como as crianças inventam que um pedaço de madeira é um monstro.
Eu inventei um amor em você.
Ou inventei que você era um amor, assim.
E que eu queria ser amor para ti também.

Sim, eu sei.
Não se pode mais.
Mas deixe-me com as palavras.
Preciso dar de comer para esses bichinhos amarelos.

Se digo Je t'aime mon amour.
você não deve acreditar.
É tudo invenção para alimentar os pintinhos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sem título

Era preciso coragem. Eu gosto disso. De inventar em mim uma coragem e uma força inexistente. E me colocar à prova, até a última torsão do corpo. Até que a dor seja insuportavél. Porque era mais insuportavél a idéia de não amor. de não dizer e se rasgar sobre os amores. Era preciso, em minha mente, ser intensa. É sobre o amor que inventei para permanecer em pé. Porque eu já nem sei até que ponto essa dor se deu de verdade. Falei com você sobre isso, ontem. Que eu não sei onde eu sinto, onde eu invento, e finjo sentir. Mas acredito em tudo que invento! Porque dói. Dói tanto e mais que aquele amor primeiro. Simples. Sem apelos e peles. Eu nos inventei. Aliais, inventei seu corpo em mim, porque não há possibilidade da minha existencia sem uma paixão. Isso é cruel. Eu sei. Eu acho. Mas deixe-me. A violência é minha. Não estou pedindo cuidado, nem pena, nem que você seja inteira, ou em pedaços. Não sei.
Ontem a encontrei e ouvi sua saliva e " você está pessimista. Não era assim. Antes seus olhos brilha:vam e pareciam sempre apaixonados". Eu me assustei. Não sei mais sobre esse controle que nunca acreditei ter. Mas minha invenção colocou-me de lado. Deixe-me. Ela deixou-me. Não me lembro se sorri ou chorei.  

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

As flores disseram, ontem, que precisavam morrer.

Tive, ontem, um grande amor. Ele era vermelho com bolinhas amarelas. Cheirava azedo e tinha um gosto de lírios. Ontem mesmo, eu percebi que amar algo é encantar-se com o amado.



                                         Tenho, hoje, um engano. Penso que a paixão é um engano. Desencantar-se dói.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Promessa

Quando eu olhar, novamente, uma árvore, irei ouvir suas cores.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

"Teu corpo combina com meu jeito Nós dois fomos feitos muito pra nós dois Não valem dramáticos efeitos Mas o que está depois"

Caetano Veloso

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Está tudo fora da geladeira

A casa está uma bagunça. Tem roupa no chão, quarto partido e louça para lavar. Criança para levar à escola, cabelo para pentear. A casa está partida. Ela está sozinha. A bateria vai acabar e só resta a saudade do ex-corpo que fala ao outro lado  da linha. Ele diz. Volta e me faz reapaixonar por você. Eu topo. A gente novamente, a gente cozinha, costura e arruma a geladeira. Eu topo. Eu digo que não sei reconquistar que você me escapou. E insistente o corpo diz me : abraça que eu te guardo no ombro. e a gente dorme em conjunto outra vez. Eu topo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

OVO

Olho no espelho. Não sei se me reconheço. É preciso descascar tantas vezes a pele que criamos para nos protejer. Dá-me um pouco de raiva. Pelo menos sinto algo. É um sinal de que estou vivo, e faço do meu latejar alguma pulsação concreta. Ou não. Sei que queria descascar-nos todos, e trazer-nos para o mundo das ingnorânças, onde o que existe é a verdade. Nos esquecemos disso. Porque quando eu te olho, eu já me viro e me protejo de qualquer exposição sobre o que sinto. E porque não mostrar? Prefiro a verdade, me expor. Por mais que me corte. Pelo menos crio um mapa em mim. Está aqui meu corpo, cheio de rabiscos, de tanto corte, e perdas, e chutes, e abraços, e beijos e olhar. E é bom ver que me cortei. É bom ver o choro. Ver que tudo foi verdade. E que minha defesa é falha. Não dura muito. Quero relacionar-me tal qual a criança que descobre algo. E descobre num diamante, não o valor financeiro, mas a beleza e a sensação real que aquilo lhe causa. É preciso brincar com o vento, correr na grama. Esquecer as coisas determinadas.É preciso tirar a casca.

Para um sorriso

Era um sorriso recuperado. Eu havia esquecido a felicidade em algum lugar escondido. Você assim, quando me surge correndo e pedindo " fica comigo até para sempre", basta-me sorrir. Sorrir e ser com você, no corpo cansado, e correr e cair na areia até o Sol se pôr, e não ter mais forças para levantar. E acha graça e deitar imundo na areia, caindo rindo de uma piada qualquer. Não me deixe esquecer, nem perder novamente esse sorriso. Era felicidade, que vem dos poucos encontros essenciais entre nós. Existem presenças necessárias. Não me deixe crescer.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Coluna

Tanta coisa para ler sobre a mesa, e ela só pensa em comprar mais livros. Como se no ato de consumir o objeto, pudesse dele tirar sabedoria. Tudo farsa. Ela lê sempre os três primeiros capitulos dos três livros, que sempre compra em conjunto, de forma simultânea. Fica parada, olhando as palavras e forçando sua coluna à ficar ereta, a aguentar a aprender. Depois deita e esquece o que fazia, que lia. E começa a cantar uma música qualquer, sobre um lugar qualquer. E desaprende tudo. E recomeça, para desaprender sempre.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

novos movimentos

Quero dançar você.
Dançar seu corpo.
Você. Seus medos
Dançar.

E me deixar embalar pelo som dos seus ruidos.
E dançar seu pelo, sua pele, sua saliva.
E caminhar em você, nos seus poros.
E amarrar minha boca nos seus peitos.


Quero ser dança em você.
E ser seu movimento.
E me colar e descolar do seu colo num movimento cíclico.

Quero você em seu movimento
Na surpresa que se faz em mim.
Na sua boca nova.
E experimentar sua língua.

Vou ser atropófago
E devorar-te
Movimente-me.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Deixa fugir.

              Eu não queria me perder de você. Mas acho que está sendo inevitável que nossos corpos se esqueçam. E eu tenho me perdido tanto de tudo. Das suas palavras e toques, e das minhas decisões sensatas. Eu queria ficar, por mais algumas horas. E ler suas metáforas e decifrar seu gozo e ouvir seu suor e durar com você até que a gente se gaste inteiros, e realmente sinta que vivemos o que tinhamos para esse encontro. E, assim, possamos partir sorrindo, sem a sensação de que faltou um abraço ou um sorriso ou um verso sobre nós. Sem essa saudade do que poderiamos ter sido. Quero te escrever mais versos, não me deixa fugir.

Leve-me

Outro olhar e eles não durarão mais.
Porque é sempre assim. E faz tanto tempo que eles olham-se e se dovoram sem toque.
Por que é sempre assim? É que já foram tantas possibilidades não cumpridas, que o corpo dela não se contenta mais com os olhos medrosos dele. Quer um corpo sobre o outro, ou ao lado, tanto faz. Quer sentir o que o peito dele lateja  e fazer com que o seu trema por consequência. É que eles se entenderam assim, nessa troca dos olhos, nesse olhos na boca. Eles criaram esse jogo gostoso, sincero de saber ter paciência. De não saber se algo se fará concreto. Mas eles sabem que estão ali, juntos, fundidos, unidos. Sabem que uma outra pessoa que os cruza no meio, não ter força para desfazer a direção dos olhos. E ficam assim, dançando distante. Colando seus corpos em outros para satisfazer a pele. Para que não venha o desespero. Ficam assim, sorrindo, bonitos, cantando calados seus versos invertidos de não-amor. Vai ver é isso. Ambos terão que acreditar que se pode dar as mãos pelo olhar.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Flores

Aquela flor ali em cima, é plástico. Em cima da mesa. É plastico. Não tem nada de verdade ali. Foi uma verdade que você inventou para criar suas rimas. Para ter com quem olhar. Ter o que olhar. A gente já viu isso naquela peça. Plástico não guarda memória. É coisa dobravél que está sempre rindo. Sempre com a mesma cara. Ele não se afeta. E nem afeta ninguém. A não ser, que como você, a gente crie essa ilusão de que realmente há sentimento ali. E você acreditou que era algo real? Por que? Você precisava realmente sentir isso. Você já viu um girassol de verdade? Já tocou nele. Já viu como ele sorri quando é cuidade, e como ele precisa de cuidado. Não é isso de estar sempre ali em pé. Ele não pode ser algo que você coloca como enfeite, feito essa artificialidade que está na mesa. Não! Você não sabe cuidar.Você está criando uma estante de flores e deixando elas murcharem lá, sem ar, quietas, sozinhas, carentes de atenção. Até que um dia uma morre. Despedaçae. Despetala. Algumas já se foram mesmo. Mas você nem olha a estante. Você quer essa moldura , essa aparência firme e forte, essa segurança que não quebra. Que não recebe e não dá. Você quer se relacionar com plástico. E foge quando um girassol ou um lirio batem à sua porto. Finge que não é nada, os coloca na estante e vai à tenda da esquina comprar um efeite feito de nada natural. Você precisa sentir. Precisa parar de se sentir plástico.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não é hora de pousar.

Seja inverso.

Rasgo

Rasga essa pele.
Raspa esse pelo.
Nada disso é seu.

Sair assim do seu lugar estavél. Reconhecer a si mesmo. Ele precisou sentir que as palavras eram necessarias. Que sua tentativa de gritar com o corpo ainda não teve seu espaço. Perdeu sua forma. Agora desforme tenta  encontrar-se em um novo lugar no mundo. Ou ficar pairando por um novo mundo, em vários lugares. Ou ser lugares e sons e palavras. E ser afeto. Descobrir-se em cada curva novo.

domingo, 4 de julho de 2010

Tira o piso
Tira o peso
e voa para outro lugar.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sofá

Eram as flores que já não estavam mais ali. E isso doia nele.
Quiz aprender a plantar. Pegou uma pá e cavou um buraco no quintal. Depois colocou ali dentro uma semente de qualquer coisa. Era importante que um dia crescesse qualquer coisa em seu quintal e que tirasse dele, essa idéia de que nada ali iria mudar mesmo. Tinha ficado parado desde que ela se fora. Tinha um cuidado em não ser amado mais. Coisa um pouco cruel. Mas optou por isso desde que se viu fazedor das dores da moça do vestido lilás. É que quando ela partiu ( obrigada por ele) espremeu nele todas as suas cicatrizes e vôou livre para outro lugar. Ele gostava disso, a admiriva. Certamente não era mais aquele tipo de amor que ele tinha por ela. Mas nutria um cuidado com o mundo como se tivesse que carregar em si os medos, as dores e as falhas dos outros.
O fato é que ele não aguentaria por muito tempo. Ou fazia crescer coisas novas em si, ou cavava buracos que mais tarde iriam servir à própria cova. Optou por plantar alguma coisa. E ficou ali, dias, olhando aquele ponto de terra mais macia, esperando que algum sinal de vida surgisse naquela imensidão vazia. É! Parecia não ter jeito mesmo. Parecia que nada mudaria. Ele aceitou. O que mais poderia fazer? Sim, poderia ter colocado sua roupa menos fora de moda e ido à qualquer lugar e encontrado uma pessoa qualquer. Ele aceitou. Abriu seu armário, pegou uma blusa vermelha e uma calça jeans. Ele tinha coisas atemporais. Porque jeans é sempre usável. Então foi à busca da chave da casa. Como fazia tempo que ficava naquele sofá, esquecera-se onde a tinha guardado.




Continua.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

Fluxo

Quando eu voltei, eu pensei ter dito: Estou inteira, de volta, sua. E ter dado algum lugar seguro para o seu riso. Pensei ser de novo e pela primeira vez sobria entre nós. E sem desculpas ou arrependimentos. Quando eu deitei no seu travesseiro e me abri inteira, eu me rasguei a pele e te disse pelos poros que precisava ser sua coberta e ser coberta por ti. Quando eu abri os olhos e te senti respirar na minha nuca, pressenti não saber escapar disso. Não quiz me fugir de você. Agora estou fundida, fudida, estuprada pela falta de afeto entre dois.

Eu deito te. olho. Vejo-te em quinze posições diferentes e não consigo te sentir.
Quando eu partir pensarei estar inteira e tirar seu riso de mim.



" forcei-me a liberdade e aguento-a não como um dom mas com heróismo: sou heróicamente livre."
C.L.

Outra volta

Estou.
Parada.
Aqui.
Esperando. Não Godot. Não você. Não nada.
Mas ser inteira novamente.


Saudade estala em mim.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

invenção

É tudo mentira.
Tudo inventado.
Os desejos, os amores, as necessidades.
Mentira.
Os medos, inventados.
Por mim, e por eles que vieram antes.
Que inventaram essa automatização e capacidade de se privar.
Estou saindo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mover

O que te movimenta?
O que te desloca?

Desloco meu quadril, me tiro do eixo.
Me mexo assim, redonda. E faço círculos ou linhas retas, tanto faz.
E despois que caio, me levanto, e digo corte, rasgo, sorriso, abraços, sincero,amor, fica, fico, solto, agarra, correr, pular, mover, mudar.

Dança comigo?

Você diz sim. Aceita um passo fora do compasso e do eixo.
E cai na risada, por ser mexido e ser outra pessoa movida por erros.
Por não acertos. Não regras. E acertar consigo. Com o que dê genuino te restou.

Minha busca está na inocência de mim. Quero desaprender sobre todas as coisas. Para ser, de novo, contato primeiro.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Casa comigo e roupa lavada

Comigo sobre o mesmo piso.
Fica.

Me dê mais alguns dias de cuidado.
Me diz para esperar o tempo melhorar.
E cobre-me com o seu corpo.
Diz cozinha, casinha e abraço.
Caminha comigo em direção oposta,
só para chegarmos à tempo do compromisso.
Muda-me, cala-me a boca.
Beije-me antes que eu diga partir.
Muda-me, troca minha roupa.
Esconda os rasgos de nós.
Mostra seu sorriso e conforto ao meu lado.
Que eu não me escondo.

Eu fico. Assim, por mais uns segundos e segundos e horas e dias e meses e. Antes de eu pensar razão.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

obsoleto

A gente ultrapassou este instate de ainda agora pouco. Obsoleto. Acho que é isso. Ali, logo ali, num segundo atrás, fomos algo que não mais nos cabe. Acho que por isso, assim, estamos, estranhos, parados. Olhando para nós, já distante, vejo isso. Essa feliz idade que tivemos há pouco,não podemos alcançá-la de volta.

Que bonito isso.
Te ver assim crescido.
mudado.enregue.
Me ver de novo fora de ti. Fora de nós.

Fora nós existem outros.

Gosto de caminhar em você e ser sua e de outros.

Clarear

Claro que eu poderia ter pedido um café. Poderia ter pego sua mão e sido mais clara com você. Poderia ter falado do céu, do frio e do menino que pede alguma dignidade, logo ali na esquina. Eu poderia ter dito que está tudo "fora do lugar" e sendo assim, tudo desencaixado. Mas que estamos tentando, parados fazer algo. Podia ter citado schiller, deleuze, kant e nietzsche. Não. nietzsche não. Ainda não o li com atenção. Poderia ter falado da relação de jogo livre entre as coisas. E te fazer entender que cada tem seu tempo para as relações e entendimento e mudanças e fim. Poderia afirmar que isso é importante para mim. Poderia ter dito a vontade de mudar. De quarto, de casa, de vida, de atitude. Às vezes. Outras , a vontade de ficar. Em casa, no quarto e quieta. Poderia ter falado dos alguns livros comprados, à mostra na minha estante, porém nunca abertos. Ou lidos pela metade. São poucos. São todos. Poderia ter voltado a falar dessa falta de atitude minha que não devolve ao menino da esquina do café a dignidade que ele merece. E ter desistido de dar-lhe esmolas e comprar-lhe um lanche, ou um almoço. E trocar algum afeto com ele. Levá-lo à uma biblioteca, à escola. Sei lá. Escolher adotar. Mudar alguma coisa ao redor. Sem grito. Sem essa politica dos " pedras nas mãos", mas mudando num movimento não agressivo. E depois viajar. Conhecer o mundo. Conhecer-me no mundo. E ver que sou pequena, quase nada, no meio disso tudo. E beijar outras milhares de bocas, grandes, pequenas, grossas, finas, rosadas, pálidas. E dizer je t'aime, I love you,Ich liebe dich e outros blábláblás. E me apaixonar à primeira, à segunda, à décima vista. E amar vários corpos. E ser livre e leve e solta. E ser clichê. E logo depois não ser. E tomar café da manhã na cama com alguém quem eu deseje casar e ter filhos. E fazer arte. No café. No menino. Na calçada. Nos carros. No museu. No teatro. Sem fim. Fazer algo para modificar. Eu poderia, se você parasse de falar em nós, em piso, em anel.

sábado, 5 de junho de 2010

Constatação II

Nem toda dor é peso.
Nem todo peso é eterno.
Meus sorrisos persistem.
Amar é algo simples.
Saudade não me satisfaz.
Muitas dúvidas existem sempre.
E algumas certezas também.
Consumir-se pelos detalhes que nos fazem feliz.

Busca.

Importante conhecer-se
para gerar novos( e velhos) sorrisos.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Constatação I

Não há felicidade plena possível.
Uma parte sempre pesa.
Pode-se camuflar certas dores.

Cheiro

Eu vou tatuar você.
Assim, seu cheiro, seu boca, sua pele.
Em mim.
Tatuar suas palavras, seu choro, seu grito.
E ter seu gosto, sua saliva aqui comigo.
Carregar você.
Eu vou tatuar você.
Te dizer para ficar. Te dizer: eu grito nós dois no meio do sinal.
Vou pegar emprestada essa sua coragem de pessoa pequena que tem que se impor, essa sua falta de medo de se expor. Pegar por uns dias, para ver o que modifica por aqui.
Eu vou. Com você. Se você ficar.
Ou não.

Partir

Dói.
Um pouco mais do que eu pensava.
Vai passar.
tudo é questão de tempo e espaço.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sinceridade

_ Eu agora entendi
_ O que?
_ Isso que você nomeou a gente.
_ Eu disse: não ter nome.
_ Eu sei.
_ Então.
_ Eu agora entendi.Por isso, agora vai ser assim. Eu calada e você colada em mim. E ignora essa rima ruim, por favor.
_ Eu queria ficar calada.
_ Você pode. Faça como quiser.
_ Estranho te ver assim. Pouco entregue.
_ Eu estou jogando seu jogo.
_ Eu nunca falei em jogar.
_ Olha, você precisa lembrar mais das coisas que você fala.

silêncio.

_ Eu preciso de você.
_ Eu sei.
_ E por que essa distância?
_ Eu não vou dizer mais uma vez.
_ De quem você está se protegendo?
_ De você.
_ De mim?
_ De mim.

Silêncio.

_ De mim. Dessa minha mania de mergulhar e dizer o que penso quando sinto.
_ Eu acho isso bonito. Eu gosto.
_ De mim?
_ Disso que a gente criou. Não o agora. Não esse encontro de hoje. Estranho, distante. De você. Pronto falei.
_ Podia ter dito antes.
_ Eu não preciso dizer palavras.
_ Mesmo assim, acho que agora as coisas já mudaram.
_ Então será assim.
_ Será do jeito que nos colocarmos.
_ Tá. Eu vou indo, então. Preciso saber se resto inteira nisso tudo. Bom falar com você.
_ Volta.
_ Oi?
_ Volta logo.

Sorriem. E partem em diferentes direções.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um pouco

Um pouco de ar.
É isso.
Falta espaço. Está tudo apertado, colado, aglutinado.
É sempre assim. Ele diz calado palavras doces e ela se denuncia. Se esconde atrás de um sorriso nervoso. Fugindo, fingindo uma fortaleza que não lhe pertence. E se rasga num corpo que não lhe pertence, e se encontra desnuda por baixo de uma pele qualquer. É medo de ir. De dizer sim.
Sempre repete a mesma coisa, a (des)culpa.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

.
.
.
.
.
.
Quero outro acordo.

domingo, 23 de maio de 2010

aorta

Me fale sobre o amor. Sobre isso que a gente criou. Sim, vou nos nomear amor na tentativa de resignificar o nome. Eu criei com você um amor, nosso. Pelo menos na inha cabeça, é amor.Diverso disso que eu aprendi vendo Telenovela. Nos recriamos assim. Mas você me pede chão. Não sei ainda ser chão. Não sei. Eu sei que você naõ me pediu nada. Eu talvez esteja desejando que você me peça isso. MAs não peça, ou irei enlouquecer. É porque eu ainda estou aprendendo sobre o AMor. Sobre esse já determinado. Minha idéia de amar é outra. Não precisa compreender. Eu estou tentando te compreender em mim. É só um tempo.

Horta

A gente passou do limite. Foi isso. A gente achou que aguentava o peso dos corpos um sobre os outros. Mas não. Ninguém é leve aqui. Estamos todos cheios de irresoluções na cabeça. Ai, temos, ainda, que aguentamo-nos articulados , cheio de gestos e suspiros. Eu sei que eles( nós) não puderam ir até o fim. Eu não pude. Mas ainda sinto tudo isso me latejando. FIquei com essa idéia de liberdade. Achei que aguentasse esse tipo de amor. Não. Deixo isso para os filósofos. Quando você partiu eu percebi o quanto amei. E me arrependi em dividir a cama com outros.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Medir-se no tempo.

Porque hoje descobri que não sou mais.
Estou no meio.
Estou.
Sendo.


Ontem, vi pela janela que dois, da mesma espécia, cor e sonoridade, poderiam voar em direções opostas.
Comovi-me. Quando vim lhe dizer que nosso tempo de duração grita por finalizar-se, quis dizer: Te amo , te quero aqui por mais alguns momentos. Quis sentir que te amo e te quero aqui por mais alguns. Com mais alguns.

Não há nada específico nessa escrita.
Ansiedade por sentir algo novo.
Só.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Silêncio

. não estou conseguindo nos dizer.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Compartilhar-se

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Em meio à isso tudo, o que nós falta é existir somente pelo contato do que se instaura.

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Quando.


Porque ali, quando você disse, que eu devia ficar, eu parti. Ali suas mãos sobre as minhas deveriam ter sido postas, e coladas, cravadas até que você me levasse à cama  e com o seu corpo se fizesse cobertor. Ali você deveria  ter dito: Fica mais dez minutos. E esses dez tornar-se-iam vinte, e depois trinta e depois depois. Quantas infinitudes fossemos capaz de desejar. Ali eu deveria ter sido inteira e não repartida entre o piso de madeira e o azulejo gelado do corredor.  Ai, então, sairia alguma palavra não pensada, nem pesada, mas afirmativa do desejo de ficar. Mais uma hora, mais um dia, uma semana talvez. Ficar para ver onde isso que criamos poderia nos levar. E ficar para ver que, talvez, a maior distância que conseguiríamos percorrer, seria , de novo, mais uma vez, ir até o edredom amassado , portador de cheiros outros e nossos. E de lembranças esquecidas, porém revividas de dois corpos.  Mas meu corpo decidiu, lá no inicio, partir.

domingo, 25 de abril de 2010

Hora

É que, de novo, partida.
Se fez a hora de ir.
Para dar, te dizer, palavras frias de em coração em pedras.
De novo. Não há nada novo. Existe essa mania de ser escrita em versos alheios e esquecer-se de si. Pequena moça, descuidada , achando que o mundo ainda lhe pertence. Que pode com versos produzir sorrisos. Mas nem em si mesma, teve tempo de descobrir quanto amor lhe foi destinado numa tarde fria de domingo. Deitou esperando acordar com um coração inteiro.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Te esperei, mas você não veio.
Esperarei amanhã.
E depois.
Por isso que um dia irá ser disfeito, feito giz.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vontade de escrever você inteiro.



E só.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ainda

Existe. Ainda nada. Assim de concreto. Entre nós, nada. Como é possível sentir saudade disso que que não somos? Pois bem, eu sinto. Pois bem, ficou um cheiro seu em algum lugar imaginário do meu corpo. Estou correndo atrás dele, não para apagá-lo, mas para apalpá-lo. O cheiro, eu digo. E se puder, você. Pois bem, ou por mal. Não importa. Por mim, para nós, resta saber que estamos sendo. Algo ainda que impreciso. É tudo que nos resta. Não, não nos acho resto de outros alguns. Faltou-me ver a ti inteiro. Ainda.

domingo, 4 de abril de 2010

Concreto

Moça- Oi
Rapaz - Olá
Moça - Como vai? Como está tudo por lá?
Rapaz - Lá, está bem. E você?
Moça- Eu. Bem!
Rapaz - Bom. Que bom!
Moça - É...

Silêncio

Ambos - Você..
Rapaz - Pode dizer..
Moça - Imagina, você ia dizer algo mais importante, com certeza.
Rapaz - Primeiro as damas, sim?
Moça - Ah... Hoje ninguém segue isso, a não ser que seja interessante para quem diz.
Rapaz - É do meu interesse te ouvir.

Ela esboça um sorriso.

Rapaz - É do meu interesse te ver sorrir.
Moça - Quanto tempo faz?
Rapaz - O que?
Moça - Que a gente se perdeu e não se deixou concretizar?
Rapaz - Pouco.
Moça - Pena.
Rapaz - Eu te perdi mesmo?
Moça - Bom, você não se deu tempo de ser concreto.
Rapaz - Desculpe-me.
Moça - Não. Foi bom. Foi um brisa saudável.

Ele a abraça. Ficam quietos por alguns segundos.

Rapaz - Seu cheiro. Voltei por ele.
Moça - Sempre confiei naquele perfume. (risos)
Rapaz - Você me faz sorrir,
Moça - Você me faz.

Silêncio

Moça- Você sempre se assusta com o que eu falo.
Rapaz - Eu me surpreendo me perguntando como te deixei ficar.
Moça - Você quem partiu.
Rapaz - Eu deveria ter levado comigo, você inteira, e não, somente, o seu cheiro.
Moça - Por que partiu? Ainda não entendi.

Silêncio

Moça- Você faz muita pausas. Estamos paracendo novela mexicana. ( risos)
Rapaz - As palavras não saem rapidas de mim.
Moça - ham...
Rapaz - Hum...
Rapaz - Eu fui, pois não adiantaria ficar sem você me sendo inteira. Naquele dia, em que nos demos as mãos, e quase, assim, deixamos de ser metade um para o outro, você se virou para outro também. E eu não pude te dividir. Não pude pensar na possibilidade de não sermos outra coisa senão complementos.
Moça- E, agora, voltou buscando-me inteira.
Rapaz- Voltei somente.
Moça- Ainda me quer ?
Rapaz- Qualquer pedaço.
Moça - Você está sendo incoênrente.
Rapaz - Eu sei. Mas aceito desde que não tenho de você, só o cheiro.
Moça - Vamos recomeçar, então.
Rapaz - Pelo pedaço mais interessante, sim?
Moça- Sempre.
Rapaz- Me dê a sua boca.


Beijam-se.

domingo, 28 de março de 2010

visto

Era isso,
ou aquilo que necessitava ser visto.
Na verdade,
não era uma coisa nem outra.
Estavamos em tempo de abraços e sorrisos,
e de tentar mudar um pouco o que de ruim havia ao nosso redor.
Era isso que preciava ser visto:
O sorriso, os olhos e o beijo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

sobre os morangos

Ontem eu abri a geladeira e eles estavam lá. Lá. Eles. Não mais vermelhos, e, sim , cobertos pelo mofo. Com um cheiro azedo, de podre, de comida enlatada fora da validade. Lá. Eles. Nós. Fora da validade, tentando dizer algo sem nos deixarrmos ouvir. Roçando-se com as gosmas nojentas esbranquiçadas, um ao lado do outro, os morangos, ferindo-se. Um corroendo o outro, nós nos machucando, nos modificando. Arrancando alguns pedaços e deixando um liquido vermelho, feito suco, sujar todo resto da casa, da geladeira. Ontem eu fechei a geladeira e tentei fazer-nos durar mais um pouco.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Algumas coisas ficaram incompreendidas.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Em mim

Me encosta .
Me cose.
Me rasga.
Se costura em mim , para que esse medo da partida não exista mais.
Me.
Cola seu queixo no meu peito , minha mão na sua cintura.
Me.
Me una à você feito agulha e linha.
Me dance , me deixe soar em seu corpo.
Me permita suar ,
um suor ácido até que os olhos se ardam.
Até que até não exista. Não olha , não fala , não diz que isso é concreto.
Deixa.

Fica .
Você com esse sorriso.
Fica, por favor.

Te amo.