quarta-feira, 30 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

Fluxo

Quando eu voltei, eu pensei ter dito: Estou inteira, de volta, sua. E ter dado algum lugar seguro para o seu riso. Pensei ser de novo e pela primeira vez sobria entre nós. E sem desculpas ou arrependimentos. Quando eu deitei no seu travesseiro e me abri inteira, eu me rasguei a pele e te disse pelos poros que precisava ser sua coberta e ser coberta por ti. Quando eu abri os olhos e te senti respirar na minha nuca, pressenti não saber escapar disso. Não quiz me fugir de você. Agora estou fundida, fudida, estuprada pela falta de afeto entre dois.

Eu deito te. olho. Vejo-te em quinze posições diferentes e não consigo te sentir.
Quando eu partir pensarei estar inteira e tirar seu riso de mim.



" forcei-me a liberdade e aguento-a não como um dom mas com heróismo: sou heróicamente livre."
C.L.

Outra volta

Estou.
Parada.
Aqui.
Esperando. Não Godot. Não você. Não nada.
Mas ser inteira novamente.


Saudade estala em mim.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

invenção

É tudo mentira.
Tudo inventado.
Os desejos, os amores, as necessidades.
Mentira.
Os medos, inventados.
Por mim, e por eles que vieram antes.
Que inventaram essa automatização e capacidade de se privar.
Estou saindo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mover

O que te movimenta?
O que te desloca?

Desloco meu quadril, me tiro do eixo.
Me mexo assim, redonda. E faço círculos ou linhas retas, tanto faz.
E despois que caio, me levanto, e digo corte, rasgo, sorriso, abraços, sincero,amor, fica, fico, solto, agarra, correr, pular, mover, mudar.

Dança comigo?

Você diz sim. Aceita um passo fora do compasso e do eixo.
E cai na risada, por ser mexido e ser outra pessoa movida por erros.
Por não acertos. Não regras. E acertar consigo. Com o que dê genuino te restou.

Minha busca está na inocência de mim. Quero desaprender sobre todas as coisas. Para ser, de novo, contato primeiro.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Casa comigo e roupa lavada

Comigo sobre o mesmo piso.
Fica.

Me dê mais alguns dias de cuidado.
Me diz para esperar o tempo melhorar.
E cobre-me com o seu corpo.
Diz cozinha, casinha e abraço.
Caminha comigo em direção oposta,
só para chegarmos à tempo do compromisso.
Muda-me, cala-me a boca.
Beije-me antes que eu diga partir.
Muda-me, troca minha roupa.
Esconda os rasgos de nós.
Mostra seu sorriso e conforto ao meu lado.
Que eu não me escondo.

Eu fico. Assim, por mais uns segundos e segundos e horas e dias e meses e. Antes de eu pensar razão.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

obsoleto

A gente ultrapassou este instate de ainda agora pouco. Obsoleto. Acho que é isso. Ali, logo ali, num segundo atrás, fomos algo que não mais nos cabe. Acho que por isso, assim, estamos, estranhos, parados. Olhando para nós, já distante, vejo isso. Essa feliz idade que tivemos há pouco,não podemos alcançá-la de volta.

Que bonito isso.
Te ver assim crescido.
mudado.enregue.
Me ver de novo fora de ti. Fora de nós.

Fora nós existem outros.

Gosto de caminhar em você e ser sua e de outros.

Clarear

Claro que eu poderia ter pedido um café. Poderia ter pego sua mão e sido mais clara com você. Poderia ter falado do céu, do frio e do menino que pede alguma dignidade, logo ali na esquina. Eu poderia ter dito que está tudo "fora do lugar" e sendo assim, tudo desencaixado. Mas que estamos tentando, parados fazer algo. Podia ter citado schiller, deleuze, kant e nietzsche. Não. nietzsche não. Ainda não o li com atenção. Poderia ter falado da relação de jogo livre entre as coisas. E te fazer entender que cada tem seu tempo para as relações e entendimento e mudanças e fim. Poderia afirmar que isso é importante para mim. Poderia ter dito a vontade de mudar. De quarto, de casa, de vida, de atitude. Às vezes. Outras , a vontade de ficar. Em casa, no quarto e quieta. Poderia ter falado dos alguns livros comprados, à mostra na minha estante, porém nunca abertos. Ou lidos pela metade. São poucos. São todos. Poderia ter voltado a falar dessa falta de atitude minha que não devolve ao menino da esquina do café a dignidade que ele merece. E ter desistido de dar-lhe esmolas e comprar-lhe um lanche, ou um almoço. E trocar algum afeto com ele. Levá-lo à uma biblioteca, à escola. Sei lá. Escolher adotar. Mudar alguma coisa ao redor. Sem grito. Sem essa politica dos " pedras nas mãos", mas mudando num movimento não agressivo. E depois viajar. Conhecer o mundo. Conhecer-me no mundo. E ver que sou pequena, quase nada, no meio disso tudo. E beijar outras milhares de bocas, grandes, pequenas, grossas, finas, rosadas, pálidas. E dizer je t'aime, I love you,Ich liebe dich e outros blábláblás. E me apaixonar à primeira, à segunda, à décima vista. E amar vários corpos. E ser livre e leve e solta. E ser clichê. E logo depois não ser. E tomar café da manhã na cama com alguém quem eu deseje casar e ter filhos. E fazer arte. No café. No menino. Na calçada. Nos carros. No museu. No teatro. Sem fim. Fazer algo para modificar. Eu poderia, se você parasse de falar em nós, em piso, em anel.

sábado, 5 de junho de 2010

Constatação II

Nem toda dor é peso.
Nem todo peso é eterno.
Meus sorrisos persistem.
Amar é algo simples.
Saudade não me satisfaz.
Muitas dúvidas existem sempre.
E algumas certezas também.
Consumir-se pelos detalhes que nos fazem feliz.

Busca.

Importante conhecer-se
para gerar novos( e velhos) sorrisos.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Constatação I

Não há felicidade plena possível.
Uma parte sempre pesa.
Pode-se camuflar certas dores.

Cheiro

Eu vou tatuar você.
Assim, seu cheiro, seu boca, sua pele.
Em mim.
Tatuar suas palavras, seu choro, seu grito.
E ter seu gosto, sua saliva aqui comigo.
Carregar você.
Eu vou tatuar você.
Te dizer para ficar. Te dizer: eu grito nós dois no meio do sinal.
Vou pegar emprestada essa sua coragem de pessoa pequena que tem que se impor, essa sua falta de medo de se expor. Pegar por uns dias, para ver o que modifica por aqui.
Eu vou. Com você. Se você ficar.
Ou não.

Partir

Dói.
Um pouco mais do que eu pensava.
Vai passar.
tudo é questão de tempo e espaço.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sinceridade

_ Eu agora entendi
_ O que?
_ Isso que você nomeou a gente.
_ Eu disse: não ter nome.
_ Eu sei.
_ Então.
_ Eu agora entendi.Por isso, agora vai ser assim. Eu calada e você colada em mim. E ignora essa rima ruim, por favor.
_ Eu queria ficar calada.
_ Você pode. Faça como quiser.
_ Estranho te ver assim. Pouco entregue.
_ Eu estou jogando seu jogo.
_ Eu nunca falei em jogar.
_ Olha, você precisa lembrar mais das coisas que você fala.

silêncio.

_ Eu preciso de você.
_ Eu sei.
_ E por que essa distância?
_ Eu não vou dizer mais uma vez.
_ De quem você está se protegendo?
_ De você.
_ De mim?
_ De mim.

Silêncio.

_ De mim. Dessa minha mania de mergulhar e dizer o que penso quando sinto.
_ Eu acho isso bonito. Eu gosto.
_ De mim?
_ Disso que a gente criou. Não o agora. Não esse encontro de hoje. Estranho, distante. De você. Pronto falei.
_ Podia ter dito antes.
_ Eu não preciso dizer palavras.
_ Mesmo assim, acho que agora as coisas já mudaram.
_ Então será assim.
_ Será do jeito que nos colocarmos.
_ Tá. Eu vou indo, então. Preciso saber se resto inteira nisso tudo. Bom falar com você.
_ Volta.
_ Oi?
_ Volta logo.

Sorriem. E partem em diferentes direções.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um pouco

Um pouco de ar.
É isso.
Falta espaço. Está tudo apertado, colado, aglutinado.
É sempre assim. Ele diz calado palavras doces e ela se denuncia. Se esconde atrás de um sorriso nervoso. Fugindo, fingindo uma fortaleza que não lhe pertence. E se rasga num corpo que não lhe pertence, e se encontra desnuda por baixo de uma pele qualquer. É medo de ir. De dizer sim.
Sempre repete a mesma coisa, a (des)culpa.